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Como medir a criação de empregos em projetos de desenvolvimento

As instituições financeiras de desenvolvimento precisam saber quantos empregos seus investimentos apoiam e geram, mas obter dados confiáveis sobre isso é um desafio. Para responder a essa questão, o BID Invest está testando um novo marco para medir a contribuição dos projetos de desenvolvimento para a geração de empregos na América Latina e no Caribe.

Six people are wearing blue hard hats and yellow safety vests, suggesting they are workers or site staff.

A abertura de vagas de trabalho é um dos principais indicadores de uma economia saudável. No entanto, na América Latina e no Caribe, onde mais da metade da força de trabalho atua na informalidade,gerar empregos de qualidade é um desafio importante. Instituições financeiras de desenvolvimento como o BID Invest desempenham um papel fundamental ao financiar projetos que impulsionam o crescimento sustentável por meio do setor privado.

Os bancos de desenvolvimento ajudam a abrir oportunidades de trabalho que, de outra forma, poderiam não surgir, especialmente em setores e regiões pouco atendidas. A medição confiável dos resultados em termos de emprego é, portanto, essencial para captar de forma eficaz esse impacto. Nesse contexto, o BID Invest está testando uma nova abordagem para fazer uma estimativa dos empregos diretos e indiretos apoiados e criados pelo seu portfólio de projetos.

 

 

Uma média de 5,8 empregos gerados por cada US$1 milhão investido pelo BID Invest em 2024

 

 

Criar e medir empregos no setor privado


O cálculo da contribuição do investimento feito por bancos de desenvolvimento sobre o mercado de trabalho é mais complexo do que se pode imaginar. Apesar dos esforços para desenvolver uma metodologia padronizada para isso, o fato é que, atualmente, não existe um modelo universal.
O que essas instituições fazem é relatar conceitos relacionados, como empregos apoiados ou mantidos por seus investimentos, que são mais fáceis de quantificar, mas carecem de clareza conceitual e de alcance.

 



Um piloto para estimar a contribuição do portfólio do BID Invest 


O piloto do BID Invest para medir a contribuição de seus projetos utiliza dados de clientes, estatísticas agregadas específicas de cada país e modelos econômicos padrão. O marco propõe uma metodologia para estimar tanto os empregos apoiados quanto os criados direta ou indiretamente.


A metodologia avalia as contribuições de todo o portfólio, em vez de medir o impacto de cada projeto individualmente, o que exigiria avaliações de impacto rigorosas com análise contrafactual, ou seja, comparação dos efeitos de um projeto sobre o emprego com um cenário hipotético em que esse projeto não existisse.


O BID Invest aplicou a metodologia ao seu portfólio de projetos ativos em 2024. Foram estimados o número de empregos diretos apoiados (definidos como o total de trabalhadores empregados no projeto, na empresa cliente ou entre os beneficiários finais) e de empregos diretos criados (definidos como novas contratações resultantes diretamente do projeto).
 

Impacto no emprego da carteira do BID Invest: resultados do piloto 2024

 

Resultados do piloto

Os resultados mostram que os projetos corporativos geram a maior quantidade de empregos diretos, geralmente por meio de expansões em larga escala e processos de crescimento de empresas consolidadas. Esses projetos normalmente envolvem a abertura de novas fábricas, a criação de linhas de produção, a ampliação de serviços ou a entrada em novos mercados, o que leva a múltiplas rodadas de contratação de pessoal gerencial, técnico e operacional.

Da mesma forma, projetos realizados por meio de intermediários financeiros, que ampliam o acesso a crédito para muitas micro, pequenas e médias empresas (PMEs), também geram um aumento expressivo na criação direta de vagas de trabalho.

Por outro lado, projetos de infraestrutura, como rodovias, pontes ou parques eólicos, tendem a criar relativamente poucos empregos permanentes. Embora mobilizem grandes contingentes de trabalhadores durante a fase de construção e gerem empregos indiretos, a necessidade de pessoal no longo prazo geralmente se estabiliza em equipes reduzidas de manutenção.

Além disso, os resultados mostram que os projetos do BID Invest criaram, em média, 5,8 empregos por ano para cada US$1 milhão investido em 2024. Esse resultado está muito próximo das evidências de pesquisas anteriores.¹

 

Da quantidade à qualidade dos empregos

Este marco é um primeiro passo para quantificar a contribuição dos projetos de desenvolvimento para o emprego, e ainda há espaço para identificar todo o espectro de efeitos, como empregos indiretos apoiados e transbordamentos entre setores. Além disso, medir a qualidade dos empregos em termos de salários, exigências de qualificação, estabilidade e outros fatores também é fundamental.

A iniciativa piloto tem como objetivo propor uma abordagem padronizada que possa ser aplicada por outras instituições financeiras de desenvolvimento que enfrentam desafios semelhantes. Incentivamos a aplicação e o aperfeiçoamento deste marco e esperamos avançar em colaboração rumo a uma metodologia compartilhada.

 

Para mais informações, consulte: Measuring the Contribution of Development Projects to Employment: IDB Invest’s Pilot Framework 

DEBrief summarizing the main findings.
 

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¹ Figal Garone et al. (2025) estimam que US$ 1 milhão adicional em crédito a PMEs na América Latina e no Caribe gera 6,5 empregos permanentes por ano. Também verificam que esse efeito é mais forte entre as empresas de crescimento mais acelerado e para investimentos em ativos fixos. Brown e Earle (2013) relatam que cada US$1 milhão em empréstimos nos Estados Unidos criou 5,4 empregos, enquanto Brown e Earle (2015) estimam entre três e quatro empregos por milhão de dólares. O Centre for Economics and Business Research (2016) encontra um multiplicador semelhante no Reino Unido. Por fim, a IFC (2021) estima que os empréstimos a PMEs em economias em desenvolvimento resultam em 8,15 empregos por US$1 milhão. Ver também Arraiz et al. (2014), Chodorow-Reich (2014), Bentolila et al. (2017) e Amamou et al. (2020).

Authors

Lucas Figal Garone

Lucas Figal Garone es Economista Líder de Impacto en el Desarrollo para América Latina y el Caribe en BID Invest, Banco Interamericano de Desarrollo (BID).

Tiene más de 15 años de experiencia liderando el diseño, monitoreo y evaluación de proyectos de desarrollo del sector público y privado con el objetivo de maximizar su impacto. También, lidera análisis económicos, estudios, evaluaciones de impacto y testeos de soluciones innovadoras para la generación y difusión de conocimientos vinculados a la experiencia operativa de BID Invest, sus clientes y el sector público-privado de la región.

Previamente, ha trabajado en las Divisiones de Competitividad, Tecnología e Innovación, y de Planificación Estratégica y Efectividad en el Desarrollo del BID en Washington DC. Lucas es también Profesor Visitante del Departamento de Economía de la Universidad de San Andrés (UdeSA) y Coordinador de la iniciativa de desarrollo productivo SIDPA.

Sus áreas de experiencia e interés son desarrollo económico, desarrollo productivo, evaluación de políticas, inversiones y proyectos de desarrollo, y economía aplicada. Su investigación reciente incluye publicaciones en World Development, Regional Science and Urban Economics, Research Policy, The Journal of Development Studies, Small Business Economics, Research in Economics, Journal of Development Effectiveness, Emerging Markets Finance and Trade, IDB WP Series, IDB Invest Development through the Private Sector Series, y capítulos en varios libros.

Es PhD en Economía de UdeSA, donde obtuvo su Maestría en Economía, tras obtener su Licenciatura en Economía en la Universidad de Buenos Aires (UBA).
 

Victoria Luca

Victoria Luca es consultora de Impacto en el Desarrollo de la División de Efectividad en el Desarrollo de BID Invest, donde apoya la evaluación de proyectos en los sectores de manufactura y agroindustria, así como el desarrollo de productos de conocimiento. Anteriormente ha sido asistente de investigación en varios proyectos de comercio internacional, geografía económica y economía ambiental, y se ha desempeñado como asesora en organismos públicos. Tiene una Maestría en Economía de la Universidad de San Andrés.

Lucas Navarro

Lucas Navarro es consultor externo de la división de Efectividad en el Desarrollo de BID Invest y de la División de Competitividad, Tecnología e Innovación del BID. Se ha desempeñado como académico en los departamentos de economía de Queen Mary University of London, Universidad Alberto Hurtado (Chile) y Universidad Nacional de Córdoba (Argentina) desde donde ha publicado en revistas académicas especializadas, tales como The Economic Journal, Review of Economic Dynamics, y Economics Letters, entre otras. Tiene experiencia liderando proyectos de investigación en las áreas de desarrollo productivo, productividad e innovación y en la intersección de esos temas con la economía laboral. Lucas cuenta además con experiencia en el diseño, ejecución, análisis costo beneficio, y evaluaciones de impacto de proyectos de desarrollo. Es economista de la Universidad Nacional de Córdoba y cuenta con un PhD y Master en Economía de Georgetown University.

Rodolfo Stucchi

Rodolfo Stucchi es Director de Impacto en el Desarrollo en BID Invest. Sus áreas de especialización incluyen desarrollo económico, evaluación de políticas públicas y macroeconomía. Rodolfo cuenta con una amplia experiencia en monitoreo y gestión de portafolios, análisis económico ex-ante y ex-post de proyectos del sector público y privado, monitoreo y evaluación, evaluaciones de impacto y macroeconomía. Anteriormente, se desempeñó como Jefe de Impacto en el Desarrollo para la Región Andina y el Cono Sur, y como Jefe de Monitoreo y Evaluación, ambos cargos en IDB Invest. También fue Economista Senior en el Banco Interamericano de Desarrollo, consultor para el Banco Interamericano de Desarrollo y el Banco Mundial, y Economista para el Gobierno de la Provincia de Córdoba en Argentina. Rodolfo ha publicado numerosos artículos en revistas académicas, tales como Journal of Development Economics, Journal of Development Studies, Journal of Macroeconomics, The World Bank Economic Review y Economía, entre otras. Su investigación se centra en temas relacionados con productividad, empleo, innovación, comercio y acceso al crédito. También fue Profesor Visitante en la Universidad de San Andrés (Argentina), Universidad Católica Boliviana San Pablo (Bolivia), Universidad de Chile (Chile) y Georg-August-Universität-Göttingen (Alemania). Rodolfo es Doctor en Economía por la Universidad Carlos III de Madrid (España) y Licenciado en Economía por la Universidad Nacional de Córdoba (Argentina).

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