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Microsseguros: a nova fronteira da resiliência financeira na América Latina e no Caribe

Na América Latina e no Caribe, menos de 10% das pessoas que potencialmente teriam acesso a microsseguros utilizam, de fato, esses serviços. No entanto, essa lacuna na proteção financeira começa a se reduzir. A expansão do ecossistema de insurtechs está transformando o setor de seguros, ao implementar soluções digitais e inovadoras que fortalecem a proteção financeira das populações mais vulneráveis.

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Inovações tecnológicas que oferecem seguros para pessoas de baixa e média renda abrem possibilidades para melhorar a estabilidade econômica de famílias e de pequenas e médias empresas (PMEs) diante de eventos inesperados.


Hoje, uma insurtech — empresa que utiliza tecnologias digitais para modernizar, agilizar e personalizar serviços de seguros — pode usar imagens de satélite para verificar e avaliar sinistros em áreas remotas, eliminando a necessidade de deslocamento de pessoal. Essas eficiências não apenas reduzem os custos operacionais e aceleram os pagamentos de indenizações, como também ampliam as possibilidades de cobertura para pequenos agricultores, cada vez mais expostos a situações econômicas adversas causadas por eventos climáticos.
 

E o potencial do ecossistema de insurtechs na América Latina e no Caribe vai além da agricultura, abrangendo segmentos como saúde, perda de renda, vida, funeral e seguros patrimoniais. Mas, para concretizar esse potencial, é necessário maior coordenação e esforços concentrados entre os principais atores.


O Fórum FinnLAC 2025, que será realizado em Miami nos dias 4 e 5 de novembro, representa um espaço estratégico para fomentar a coordenação e a colaboração entre os participantes do ecossistema de insurtechs. O Fórum reunirá desenvolvedores de soluções inovadoras em microsseguros, investidores, seguradoras tradicionais, reguladores e outros interessados em ampliar o acesso à proteção contra riscos por meio de apólices acessíveis.
 

 

 


O impacto das insurtechs na região


A taxa de penetração de seguros na América Latina e no Caribe cresceu substancialmente nos últimos anos, com aumento de 15,5% em 2022 e de 17% em 2023. Contudo, apesar de ter alcançado 3,1% do produto interno bruto (PIB) da região, esse índice ainda está bem abaixo da média global de 7% do PIB.


A lacuna regional de proteção, estimada em US$301,3 bilhões, representa uma oportunidade significativa de crescimento para as insurtechs. Ao utilizar inteligência artificial, aprendizado de máquina e plataformas digitais, essas empresas estão otimizando processos como avaliação de riscos, emissão de apólices e gestão de sinistros, tornando os seguros mais acessíveis e os pagamentos mais simples para os usuários.
 

Esse dinamismo se reflete claramente no crescimento dos investimentos no setor: o financiamento de insurtechs na América Latina e no Caribe atingiu US$121 milhões no primeiro semestre de 2025, superando o total investido em todo o ano de 2024.


Atualmente, cerca de 500 insurtechs operam na região. Embora algumas ofereçam seguros diretamente, quase metade está focada em fornecer soluções tecnológicas para seguradoras estabelecidas, ajudando a desenvolver produtos personalizados para segmentos tradicionalmente desatendidos.


Os esforços para atrair investimentos para o setor de insurtechs são fundamentais para seu desenvolvimento. Por isso, o BID Invest apoiou o fundo Mundi Ventures Latam com US$5 milhões em 2024, para financiar iniciativas inovadoras em seguros voltados para populações vulneráveis e PMEs.


A estratégia do BID Invest inclui o apoio a instituições de microfinanças como a Fundación Génesis Empresarial, na Guatemala. Essa organização promove o desenvolvimento de comunidades rurais e microempresas não apenas por meio de linhas de crédito, mas também com serviços essenciais como microsseguros médicos, apólices empresariais e planos de assistência técnica. Esses serviços cobrem necessidades específicas como lavouras afetadas por pragas, incapacidades temporárias por acidentes ou doenças e assistência domiciliar.
 

 

 


O mercado de microsseguros na América Latina e no Caribe


As insurtechs estão impulsionando o crescimento global dos seguros, aumentando o número de pessoas cobertas por microsseguros de 331 milhões para 344 milhões. Na América Latina e no Caribe, estima-se que os microsseguros beneficiem 37 milhões de pessoas — ainda menos de 10% do mercado potencial, segundo o relatório da Macroinsurance Network de 2024.


Os microsseguros de vida e acidentes são os mais demandados na região, seguidos por seguros de saúde, patrimoniais, de renda e agrícolas. Apesar de contar com subsídios de até 38%, o seguro agrícola tem uma taxa de penetração de apenas 1%.

microsseguros por setor

Os microsseguros fortalecem a resiliência econômica de famílias de baixa renda e PMEs, especialmente aquelas mais expostas a riscos climáticos. As insurtechs já estão transformando o setor de seguros ao oferecer soluções digitais inovadoras, estabelecer parcerias com seguradoras tradicionais e desenvolver produtos voltados para populações historicamente desatendidas.


O próximo passo é acelerar essa transformação e aproveitar espaços como o Fórum FinnLAC 2025 para promover a colaboração em todo o ecossistema de insurtechs. Fechar a lacuna de proteção exige mais do que tecnologia — requer parcerias sólidas que gerem impacto e melhorem vidas.

 

 

Authors

Marisela Alvarenga

Marisela Alvarenga es una líder financiera global con más de dos décadas de experiencia en banca privada, mercados de capitales e instituciones de desarrollo multilaterales. Reconocida por su visión estratégica y capacidad de ejecución, ha forjado una destacada carrera impulsando las finanzas sostenibles, la innovación financiera y el crecimiento en América Latina y el Caribe (ALC). Actualmente se desempeña como Directora General y Jefa de la División del Sector Financiero de BID Invest —el brazo del sector privado del Grupo del Banco Interamericano de Desarrollo (BID)—, donde lidera el enfoque estratégico de la institución hacia bancos, fintechs, aseguradoras, cooperativas y otros actores financieros en la región. Juega un papel clave en posicionar al sector financiero como motor del desarrollo, promoviendo estructuras de financiamiento innovadoras e iniciativas de fortalecimiento de mercado que movilizan capital privado a gran escala. Su liderazgo ha contribuido a consolidar las finanzas verdes, sociales y sostenibles en la región, con un fuerte enfoque en la salud financiera, el apoyo a empresas lideradas por mujeres y la promoción de inversiones resilientes al clima. Antes de incorporarse al Grupo BID, Marisela ocupó cargos de alta dirección en banca corporativa y de inversión en Citibank y Banco Cuscatlán, incluyendo el de Directora Regional de Finanzas Corporativas para Centroamérica. En estos cargos, lideró transacciones transfronterizas y desarrolló plataformas regionales que fortalecieron el acceso al financiamiento para empresas y clientes institucionales. Marisela es licenciada en Economía y Administración de Empresas por la Escuela Superior de Economía y Negocios, y tiene un MBA de la Pontificia Universidad Católica de Chile, complementado con estudios ejecutivos en la Escuela de Administración Otto Beisheim (WHU) en Alemania. También ha cursado programas especializados en Inversión de Impacto y Finanzas Sostenibles en reconocidas instituciones del Reino Unido. Fluida en el lenguaje de los mercados y la misión, Marisela es una voz reconocida en la intersección entre finanzas, sostenibilidad e innovación. Tiene una profunda vocación por escalar soluciones que promuevan la salud financiera, la resiliencia climática y el desarrollo inclusivo en los mercados emergentes

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