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Minerais críticos na América Latina e no Caribe: acelerar o investimento em tecnologias avançadas para uma mineração sustentável e responsável

Minerais críticos na América Latina e no Caribe: acelerar o investimento em tecnologias avançadas para uma mineração sustentável e responsável

Industrial evaporation ponds used in critical minerals mining in Latin America and the Caribbean

 

A liderança global em minerais críticos será definida pela produtividade, pela sustentabilidade e pela velocidade da inovação — e não apenas pelas reservas. A aplicação de tecnologias da indústria 4.0, como inteligência artificial (IA), automação, internet das coisas (IoT), gêmeos digitais e blockchain no setor de mineração reduz custos, fortalece a segurança operacional e viabiliza jazidas mais complexas. No entanto, a inovação digital deve ser integrada a estratégias eficazes de relacionamento com as comunidades, transparência e participação precoce — pilares fundamentais para garantir a sustentabilidade ambiental e social do setor.


O relatório do BID Invest, “Mineração inteligente na América Latina e no Caribe: acelerar o investimento para a transformação do setor”,  apresenta as vantagens competitivas da adoção de tecnologias da indústria 4.0 para aproveitar a demanda global por minerais críticos, que pode mais do que  dobrar até 2030 e quadruplicar até 2050.


A região ocupa uma posição estratégica nas cadeias globais de suprimento de tecnologias avançadas graças à sua abundância de recursos essenciais — como cobre, lítio, níquel e prata — que sustentam a transição energética e o desenvolvimento tecnológico. Esses recursos minerais são fundamentais para a fabricação de baterias, veículos elétricos e painéis solares, além de uma ampla gama de tecnologias digitais. O aumento da competitividade reforça a confiança dos investidores e posiciona a América Latina e o Caribe para capturar mais valor diante da crescente demanda global por minerais críticos.


Nesse cenário de crescimento, a mineração na América Latina e no Caribe enfrenta pressões crescentes para aumentar a produção, atender a padrões mais elevados de sustentabilidade e segurança e, simultaneamente, fortalecer o relacionamento com as comunidades e o desenvolvimento local. A adoção de tecnologia desponta como um fator decisivo para a competitividade da mineração na região. É fundamental acelerar o investimento em mineração inteligente para maximizar os benefícios sociais, ambientais e econômicos.

Gráfico sobre os benefícios da digitalização na mineração.A grande oportunidade: um mercado de mais de US$ 154 bilhões

A escala do mercado de minerais energéticos na América Latina e no Caribe reforça sua posição estratégica. Em 2024, a produção atingiu um valor estimado de US$ 100 bilhões em mineração e US$ 19 bilhões em refino. Até 2040, projeta-se que esses valores aumentem para cerca de US$ 130 bilhões e US$ 24 bilhões, respectivamente, impulsionados pela expansão do cobre no Chile e no Peru, bem como pelo avanço da produção e do refino de cobre, níquel e lítio no Chile, na Argentina e no Brasil.


Esse crescimento representa uma oportunidade significativa para atrair investimentos e ampliar a capacidade produtiva. No entanto, a concretização desse potencial não depende apenas da escala dos recursos nem das condições de mercado.


Em vários países da região, a paralisação de projetos de mineração por fatores sociais e ambientais limita o potencial de desenvolvimento e constitui um dos principais riscos estratégicos a serem enfrentados. Esses atrasos comprometem seriamente o racional econômico e o modelo operacional das empresas, demonstrando que a eficiência técnica não é suficiente se não vier acompanhada de legitimidade social.

A ausência de estratégias proativas de engajamento precoce e de gestão territorial gera custos multidimensionais elevados, que afetam a viabilidade operacional e a arrecadação fiscal dos Estados.


Por isso, superar os baixos níveis de confiança é imperativo, posicionando a Licença Social para Operar (LSO) como um habilitador crítico para o investimento e para a adoção de novas tecnologias. 

Uma mineração verdadeiramente inteligente deve implementar sistemas de monitoramento participativo que utilizem ferramentas digitais para acompanhar os impactos ambientais em tempo real, transformando a desconfiança em conhecimento técnico compartilhado. Além disso, é fundamental assegurar a geração de benefícios tangíveis e mensuráveis para os territórios, alinhando o investimento técnico aos planos locais de desenvolvimento e ordenamento territorial.


Gráfico de seis tendências tecnológicas transformadoras.Como a região pode capitalizar a transformação tecnológica para aumentar a produção, reduzir custos e fortalecer a sustentabilidade?


A resposta está na integração precoce de inovações tecnológicas que melhorem o desempenho econômico, reduzam os impactos ambientais e sociais e reforcem a confiança dos investidores e das comunidades. 

A digitalização permite aumentar a taxa de retorno de uma mina entre 10% e 20%, elevar a produtividade de operações-chave — como a perfuração — entre 20% e 30% e reduzir os custos operacionais gerais em cerca de 30%. Os países que avançarem mais rapidamente nessa transformação atrairão mais investimentos e fortalecerão seu posicionamento nas cadeias globais de valor da mineração.


Vantagens competitivas e tendências-chave na América Latina e no Caribe

A implementação de tecnologias avançadas já está otimizando a extração e o processamento mineral na região:


IA e analítica avançada: o uso de algoritmos inteligentes e ferramentas de análise de grandes volumes de dados permite processar informações em larga escala, viabilizando uma tomada de decisão mais ágil.. Isso reduz custos operacionais e viabiliza a exploração de depósitos antes considerados inviáveis. No Chile, por exemplo, a BHP utiliza IA para otimizar a recuperação de cobre na mina Escondida, reduzindo o consumo de água e energia.

Automação e robótica: frotas autônomas — como os mais de 90 caminhões autônomos operados pela Vale no Brasil — e sistemas de tele operação, que afastam os trabalhadores de áreas de alto risco, aumentam a produtividade e melhoram a segurança no trabalho.
 

Gêmeos digitais: permitem antecipar falhas e coordenar a manutenção preditiva, como ocorre na mina Quellaveco, no Peru, operada pela Anglo American.


Infografico sobre casos de sucesso na regiaoSensores, redes e IoT: aprimoram a eficiência operacional e a segurança ao permitir o monitoramento em tempo real. Um exemplo é a mina Peñasquito, no México, onde a integração digital possibilitou coordenar a frota, reduzir o consumo de combustível e otimizar os ciclos de carregamento.


Inovações em processos e sustentabilidade: a extração direta de lítio (DLE), implementada nos salares andinos da Argentina, permite recuperar o lítio com menor consumo de água, maior velocidade de processamento e sem geração de resíduos sólidos. No Chile, destacam-se a dessalinização da água do mar e a eletrificação de frotas no setor do cobre, que contribuem para a eficiência operacional e a sustentabilidade ambiental.

 

Além da eficiência: governança, rastreabilidade e confiança digital


A análise de projetos tecnológicos na América Latina e no Caribe mostra uma concentração de esforços na melhoria da eficiência operacional (40%) e do desempenho ambiental (36%). Em contraste, apenas (6%) das soluções estão explicitamente associadas a melhorias na governança.

Essa atenção insuficiente à governança digital representa um risco estratégico. Para que os benefícios da transformação se concretizem plenamente, é indispensável fortalecer os marcos de governança, que devem atuar como habilitadores para a gestão dos riscos éticos, operacionais e de cibersegurança introduzidos pela digitalização.


A rastreabilidade, impulsionada pela tecnologia blockchain, vem fortalecendo a transparência comercial e o cumprimento regulatório. Um exemplo é a Codelco, no Chile, que utiliza a plataforma Waybridge, da MineHub, em seu negócio global de cobre refinado, reforçando a rastreabilidade, a transparência comercial e a auditabilidade ao longo da cadeia de suprimentos.


Aplicações de tecnologia na mineraçãoNo entanto, para superar barreiras como a infraestrutura insuficiente e lacunas de governança, é essencial uma colaboração mais estreita entre empresas, governos e comunidades, a fim de garantir uma extração responsável e em harmonia com o território.


Um chamado à ação imediata


A transformação digital da mineração é o caminho para que a América Latina aumente sua produtividade, eleve seus padrões ambientais e se posicione como referência global em mineração responsável. Com um mercado projetado em mais de US$154 bilhões, a adoção em maior escala de tecnologias inteligentes não é opcional: é fundamental para atrair investimentos, melhorar a competitividade e, sobretudo, garantir a sustentabilidade social e ambiental. A velocidade de adoção será decisiva para que a região aproveite essa oportunidade e gere crescimento sustentável com benefícios verificáveis.
 

Authors

Adriana M. Valencia J.

Adriana M. Valencia es Oficial de Energía, Agua y Saneamiento, y Cambio Climático de la División de Planificación Estratégica y Conocimiento de BID Invest, la institución del sector privado del Grupo Banco Interamericano de Desarrollo (BID). Adriana cuenta con más de 15 años de experiencia en desarrollo internacional en temas de energía y medio ambiente. Antes de unirse a BID Invest, Adriana se desempeñó como especialista en energía en la División de Energía del BID. Adriana ingresó al BID en el 2010 y ha participado como miembro de equipo y líder en varias iniciativas y proyectos innovadores, además de liderar el trabajo analítico en varios sectores. Adriana ha contribuido a diseñar estrategias con países y documentos de orientación para diferentes sectores, para alcanzar objetivos de desarrollo en 26 países de América Latina y el Caribe. Antes de ingresar al BID, Adriana trabajó en temas de energía sostenible, medio ambiente y cambio climático en el Banco Mundial y en otras entidades a nivel de país, estado y ciudad. Adriana ha publicado y ha sido ponente en varias conferencias. Su formación académica incluye un doctorado y una maestría en ciencias en energía y recursos de la Universidad de California en Berkeley.

Fabián Montemiranda

Fabián es consultor en la División de Estrategia, Planificación y Sinergias de IDB Invest, donde desarrolla análisis estratégicos orientados a movilizar capital privado en América Latina y el Caribe. También ha trabajado con el Banco Interamericano de Desarrollo (BID) en la División de Infraestructura y Energía, en la estructuración de proyectos de agua, saneamiento y energía. Antes de unirse al Grupo BID, fue Director de Estructuración y Banca de Inversión en la Financiera de Desarrollo Nacional (FDN) de Colombia, donde contribuyó a la estructuración y financiación de proyectos de infraestructura y asociaciones público-privadas (PPP) en sectores estratégicos como transporte y energía. Tiene más de 13 años de experiencia en project finance, banca de inversión, finanzas corporativas y transacciones de M&A. Es profesional en Finanzas y Negocios Internacionales y magíster en Finanzas de la Universidad de los Andes.

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