Como o Santander Brasil e o Eco Invest mobilizam capital privado em escala
O Programa Eco Invest Brasil reconhece uma realidade simples: o capital público, por si só, é insuficiente para financiar o desenvolvimento resiliente do Brasil. O que é necessário é um ambiente que permita a participação de investidores privados em condições adequadas, reduzindo riscos, alinhando incentivos e criando escala.
O Eco Invest combina financiamento misto (blended finance), mecanismos de proteção cambial e leilões competitivos para atrair investimentos privados de longo prazo destinados à agricultura sustentável, à restauração de terras e à infraestrutura resiliente. Bancos e outras instituições financeiras competem pelo acesso a recursos públicos, e as propostas são avaliadas principalmente pela capacidade de mobilizar o maior volume possível de capital privado.
O Banco Santander Brasil, uma das maiores instituições financeiras do país, participou dos dois primeiros leilões do Eco Invest. Embora o banco tenha amplo acesso a fontes de financiamento, o desafio está em mobilizar capital estrangeiro de longo prazo em escala e direcioná-lo para os setores prioritários do Eco Invest.
Para enfrentar esse desafio, o BID Invest concedeu um empréstimo de até US$150 milhões ao Banco Santander Brasil, com prazo de até cinco anos, e ao mesmo tempo mobilizou US$400 milhões adicionais junto a credores internacionais da categoria B, com prazos mais curtos. Ao atuar como credor de registro (Lender of Record), o BID Invest estende seu status de credor preferencial e seu arcabouço contratual aos investidores privados, fortalecendo significativamente a mitigação de riscos e a confiança dos investidores.

Como os leilões do Eco Invest canalizam capital por meio dos bancos até os projetos
Os leilões de financiamento misto do Eco Invest operacionalizam um mecanismo simples: capital público catalítico é alocado de forma competitiva em instituições financeiras locais, que, por sua vez, mobilizam capital privado ( incluindo financiamento externo) e o repassam a projetos elegíveis, sujeitos a critérios definidos de elegibilidade, salvaguardas, monitoramento e prestação de contas.
Mobilizar capital privado adicional, não substituí-lo
A estrutura de captação do Santander é robusta, sustentada por uma ampla base de depósitos e por acesso diversificado aos mercados. Nesse contexto, o valor desta operação não está em proporcionar acesso ao capital, mas em mobilizar investimentos privados adicionais e ampliar os prazos de financiamento.
O empréstimo A/B permite ao Santander
- Obter financiamento de prazo mais longo, alinhado ao perfil de fluxo de caixa de ativos resilientes
- Mobilizar capital privado internacional em escala, em conformidade com os requisitos do Eco Invest
- Fortalecer sua participação nos leilões do Eco Invest, nos quais os índices de mobilização são um dos principais critérios de êxito
Na prática, a operação demonstra como o capital multilateral pode ser utilizado não para substituir o financiamento privado, mas para catalisá-lo, reduzindo a distância entre o apetite dos investidores e as necessidades dos projetos.
Alinhando financiamento e impacto
Os recursos do empréstimo A/B apoiarão o financiamento de projetos elegíveis no âmbito do Eco Invest, incluindo:
- Agricultura e pecuária sustentáveis
- Restauração e uso produtivo de terras degradadas
- Infraestrutura resiliente alinhada às prioridades nacionais de desenvolvimento.
Em um nível mais amplo, a operação contribui para:
- Mobilizar capital privado para investimentos alinhados às prioridades de desenvolvimento
- Apoiar as metas de restauração de terras do Brasil em diferentes biomas
- Demonstrar um modelo replicável para ampliar as finanças sustentáveis em mercados emergentes
Um modelo para mercados emergentes
Conforme destacado pela OCDE, o Eco Invest oferece um modelo replicável para economias emergentes que buscam mobilizar capital estrangeiro ao mesmo tempo que administram o risco cambial. O empréstimo A/B ao Santander demonstra como essa estrutura pode ser operacionalizada por meio de uma intermediação financeira bem desenhada, que combina recursos públicos e privados de forma disciplinada e orientada pelo mercado.
Para o BID Invest, esta operação reflete nossa abordagem Originate-to-Share: originamos transações complexas e de alto impacto, estruturá-las para atender às exigências do mercado e, em seguida, incorporamos investidores privados para ampliar seu alcance e impacto.
Dessa forma, ajudamos a transformar prioridades de investimento em projetos financiáveis e demonstramos que, com as estruturas adequadas, o capital privado pode desempenhar um papel decisivo no financiamento do crescimento resiliente.
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